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Subacquirer Solutions

Plataforma Tupi | Subacquirer Solutions

ResponsávelGabriel Cavalcante
Última atualização26/05
StatusEm construção
ObjetivoDescrever o produto de auditoria e reconciliação de intercâmbio para subadquirentes

TL;DR

Subadquirentes que operam no modelo interchange plus pagam o intercâmbio cobrado pelo adquirente sem conseguir auditar se o valor está correto. O ITC Reconciliation resolve esse problema: recebe o arquivo EDI do adquirente, calcula o intercâmbio correto transação a transação e identifica os mismatches com evidências para contestação. Clientes em produção estão identificando divergências da ordem de R$ 40 mil por mês, sistematicamente favoráveis ao adquirente.

1. Introdução

Este documento descreve o produto de reconciliação de intercâmbio da Tupi, voltado para subadquirentes que operam no modelo interchange plus. O produto nasce de uma assimetria estrutural do ecossistema: o adquirente sabe calcular o intercâmbio, o subadquirente não, e essa diferença de conhecimento e ferramental gera perdas financeiras sistemáticas e invisíveis para o subadquirente.

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2. Para Quem

O ITC Reconciliation foi construído para subadquirentes que operam no modelo interchange plus e não têm visibilidade nem ferramental para auditar o intercâmbio cobrado pelo adquirente. Esta seção detalha o perfil da empresa cliente e os usuários e stakeholders que interagem com o produto.

2.1 ICP (Perfil da Empresa Cliente)

O cliente ideal é o subadquirente que reúne duas condições: negociar com o adquirente no modelo interchange plus e operar acima de R$ 300 milhões de TPV anual.

A primeira condição define quem tem o problema: no modelo interchange plus, o adquirente repassa o intercâmbio real e cobra uma margem fixa em cima. Isso significa que o valor de intercâmbio varia transação a transação, e o subadquirente não tem como saber se o que foi cobrado está correto. No modelo de taxa fechada, o adquirente assume esse risco internamente e o subadquirente paga uma taxa fixa por categoria, independentemente do intercâmbio real.

A segunda condição define quem sente o problema com intensidade suficiente para justificar o produto. Abaixo de R$ 300 milhões de TPV anual, o impacto financeiro das divergências de intercâmbio tende a não ser relevante o suficiente para justificar a operação de forma isolada. Acima desse volume, as divergências acumuladas mês a mês representam um impacto material na margem da operação.

2.2 Usuários e Stakeholders

Dentro do subadquirente, o produto envolve dois perfis de usuário e dois perfis de stakeholder com necessidades distintas.

Analista Financeiro É o usuário operacional do produto. Executa o processo no dia a dia: faz o upload do EDI na plataforma, acompanha a análise dos mismatches, interpreta o relatório gerado e coordena a contestação junto ao adquirente. A dor principal é não ter hoje nenhuma ferramenta para verificar se o intercâmbio cobrado está correto, o que o obriga a aceitar os valores do adquirente sem questionamento.

Diretor Financeiro É o usuário executivo. Não opera o produto diretamente, mas consome o relatório consolidado para ter visibilidade sobre o impacto financeiro das divergências e tomar decisões sobre contestação e precificação. A dor principal é não ter visibilidade sobre quanto a operação está perdendo em intercâmbio cobrado incorretamente.

Time de Pricing (Stakeholder) Não opera o produto, mas é diretamente impactado pelo seu resultado. Os dados de intercâmbio real gerados pelo produto alimentam o processo de precificação do MDR cobrado dos lojistas. Sem essa informação, o pricing é feito com base em estimativas que podem resultar em margens negativas.

Time Comercial (Stakeholder) É impactado pelos ajustes de pricing que derivam do produto. Mudanças no MDR afetam a proposta comercial para os lojistas, o que exige alinhamento entre a área financeira e a área comercial sempre que ajustes são feitos.

3. O Problema

O problema central é que o subadquirente paga o intercâmbio cobrado pelo adquirente sem ter como verificar se o valor está correto, gerando perdas financeiras sistemáticas e invisíveis. Esta seção explica como o processo funciona hoje e onde ele quebra.

3.1 Como o processo funciona hoje

O intercâmbio é a taxa paga pelo adquirente ao emissor em cada transação, definida pelas bandeiras e descontada antes do repasse ao subadquirente. No modelo interchange plus, o adquirente cobra do subadquirente o valor do intercâmbio real de cada transação mais um spread fixo, o plus. Ao fim de cada dia, o adquirente envia ao subadquirente um arquivo EDI com o detalhamento das transações do dia anterior, incluindo o valor de intercâmbio cobrado por transação.

O cálculo do intercâmbio depende de três variáveis combinadas: onde a transação aconteceu (categoria do varejista, identificada pelo MCC), quem pagou (categoria do cartão, identificada pelo BIN) e como a transação foi feita (canal de captura, identificado pelo Entry Mode e pelo ECI). Cada combinação dessas variáveis resulta em uma taxa diferente, e os manuais de intercâmbio das bandeiras têm mais de 600 páginas cada, com exceções e regras específicas para praticamente todo tipo de situação.

3.2 Desafios e dores do ICP

O processo descrito acima gera três desafios principais para o subadquirente:

Impossibilidade de auditoria. O subadquirente não tem o motor de cálculo nem o conhecimento técnico para replicar o cálculo do intercâmbio feito pelo adquirente. Quando o EDI chega, ele simplesmente aceita o valor informado. Não existe hoje nenhuma ferramenta acessível que permita ao subadquirente verificar se o que foi cobrado está correto.

Perdas financeiras sistemáticas e invisíveis. Como o subadquirente não audita o intercâmbio, divergências favoráveis ao adquirente se acumulam mês a mês sem que ele perceba. Em clientes em produção, a Tupi está identificando divergências da ordem de R$ 40 mil por mês, com os erros tendendo sistematicamente a favorecer o adquirente. O subadquirente que não contesta perde esse valor de forma recorrente.

Precificação do MDR baseada em estimativas. Para precificar o MDR cobrado dos lojistas, o subadquirente precisa estimar qual será o seu custo de intercâmbio. Como ele não consegue calcular esse custo com precisão, corre o risco de precificar incorretamente e operar com margens negativas em determinados perfis de transação, especialmente quando o mix de cartões difere do estimado.

4. A Solução

O ITC Reconciliation entrega ao subadquirente, pela primeira vez, a capacidade de comparar o intercâmbio cobrado pelo adquirente com o intercâmbio calculado de forma independente, transação a transação, e agir sobre as divergências encontradas. Esta seção detalha como o produto funciona, as jornadas que suporta e as integrações necessárias.

4.1 Visão Geral do Produto

O produto recebe o arquivo EDI do adquirente, calcula o intercâmbio correto para cada transação com base nas tabelas das bandeiras e compara com o valor cobrado. O resultado é uma lista de mismatches com o detalhamento de por que cada divergência ocorreu e qual é o valor líquido a ser contestado junto ao adquirente.

Com isso, o subadquirente passa a ter três capacidades que não tinha antes: auditar o intercâmbio cobrado transação a transação, contestar cobranças incorretas junto ao adquirente com evidências concretas, e precificar o MDR dos lojistas com base no custo real de intercâmbio da sua operação.

4.2 Jornadas e Jobs to be Done

O produto suporta cinco etapas sequenciais, que cobrem desde o recebimento do EDI até a reconciliação do ajuste financeiro.

Etapa 1: Recebimento e ingestão do EDI O subadquirente recebe o EDI do adquirente referente ao dia anterior e faz o upload do arquivo na plataforma via drag and drop. A plataforma processa o arquivo, extrai os dados de cada transação e os enriquece com as informações necessárias para o cálculo do intercâmbio, como o MCC do varejista, quando não está presente no arquivo.

Etapa 2: Cálculo e identificação de mismatches Para cada transação, o produto identifica o BIN, o MCC e o Entry Mode, consulta as tabelas de intercâmbio das bandeiras e calcula o valor correto. Em seguida, compara com o valor cobrado no EDI e lista apenas as transações com divergência, classificando cada mismatch pelo motivo da diferença.

Etapa 3: Geração do relatório O produto gera um relatório com o consolidado das divergências encontradas: valor total cobrado a mais, valor total cobrado a menos, principais tipos de erro e detalhamento por transação. Esse relatório é o insumo que o subadquirente usa para embasar a contestação junto ao adquirente.

Etapa 4: Contestação junto ao adquirente Com o relatório em mãos, o subadquirente entra em contato com o adquirente para contestar os valores cobrados indevidamente. Essa etapa acontece fora da plataforma hoje, mas o produto fornece o material necessário para embasar a negociação.

Etapa 5: Reconciliação do ajuste financeiro Após o adquirente devolver os valores contestados, o subadquirente precisa reconciliar esse ajuste com o débito que ficou registrado do dia anterior. Essa etapa fecha o ciclo e garante que os registros financeiros estejam consistentes.

4.3 Como Funciona por Dentro

O motor central do produto é o cálculo do intercâmbio. Para cada transação, ele combina três fontes de dados: o BIN do cartão, que indica a categoria (gold, platinum, black, etc.), o MCC do varejista, que indica o segmento onde a transação aconteceu, e o Entry Mode combinado com o ECI, que indica como a transação foi capturada. Essas três variáveis são cruzadas com as tabelas de intercâmbio de Visa e Mastercard para chegar ao valor correto, que é então comparado com o valor informado no EDI.

Output atual

Hoje o produto entrega dois artefatos ao final do processamento: um PDF com o relatório geral de divergências, incluindo o consolidado de valores cobrados a mais e a menos e os principais tipos de erro identificados, e um Excel com a lista detalhada de mismatches por transação.

Output futuro

O roadmap prevê a entrega de um Excel agregado por tipo de mismatch, formatado para facilitar o envio direto ao adquirente como evidência de contestação.

4.4 Integrações e Dependências

O produto depende do arquivo EDI do adquirente como input primário, recebido via upload manual na plataforma. Atualmente suporta Visa e Mastercard, com Amex e Elo no roadmap. Union Pay e bandeiras regionais estão fora do escopo.

A busca pelo MCC, necessária para o cálculo do intercâmbio, varia conforme o que o adquirente inclui no EDI e se resolve em três cenários:

MCC direto no EDI: quando o adquirente já envia o MCC no arquivo, o produto o utiliza diretamente, sem necessidade de consulta externa.

Merchant ID no EDI: quando o adquirente envia o identificador do estabelecimento em vez do MCC, o produto consulta uma base de merchants cadastrada pelo próprio subadquirente na plataforma, onde cada merchant está associado ao seu MCC. O subadquirente mantém essa base atualizada.

NSU no EDI: quando o adquirente envia apenas o NSU da transação, o produto consulta o sistema do subadquirente via API. Dependendo da implementação, a API retorna o merchant ID para posterior consulta do MCC, ou retorna o MCC diretamente.

5. O que o Produto Não Faz

O ITC Reconciliation gera o insumo para o subadquirente contestar o adquirente, mas não resolve a contestação por ele. A negociação com o adquirente e o acompanhamento do processo de devolução acontecem fora da plataforma e são de responsabilidade do subadquirente. Isso é um desenvolvimento futuro.

Em termos de cobertura de bandeiras, o produto suporta hoje Visa e Mastercard. Amex e Elo estão no roadmap. Union Pay e bandeiras regionais como Vale Card estão fora do escopo e sem previsão de inclusão.